O cumprimento entre Marta Kostyuk e a sua compatriota Elina Svitolina nos corredores do Court Philippe Chatrier, após ambas garantirem presença nos quartos de final de Roland-Garros, teve um significado muito além de um simples gesto de celebração. Com o país ainda afetado pela guerra, o momento refletiu um sentimento partilhado de união, orgulho e força emocional entre as duas jogadoras.
A antiga tenista britânica Anne Keothavong destacou que a ligação entre as atletas ucranianas ganhou uma dimensão ainda mais profunda durante o torneio, afirmando que elas parecem competir por algo que vai além do próprio ténis. Essa sensação estará totalmente em evidência quando Svitolina e Kostyuk se defrontarem na terça-feira, num duelo que garantirá um momento histórico.
O encontro vai produzir a primeira semifinalista ucraniana em singulares femininos em Roland-Garros na Era Open, um marco que nenhuma das jogadoras encara de forma leviana. Svitolina reconheceu após a vitória nos oitavos de final frente a Belinda Bencic que este feito é uma inspiração para o ténis ucraniano, especialmente num contexto difícil para o país.
Desde o início do conflito em 2022, as tenistas ucranianas continuam a competir ao mais alto nível apesar dos desafios emocionais e pessoais. Ainda assim, sete ucranianas figuram atualmente no top 100 mundial, evidenciando a força do desenvolvimento do ténis no país.
Kostyuk, que prolongou a sua série de vitórias em terra batida para 15 jogos, também tem competido sob forte pressão emocional. A jogadora revelou que um ataque de míssil terá atingido perto da casa da sua família em Kyiv na véspera do seu primeiro jogo, lembrando a realidade que enfrenta fora dos courts.
A jovem de 23 anos explicou que mudou a sua forma de encarar o ténis, dando agora mais importância à oportunidade de competir do que apenas aos resultados. Essa mentalidade ajudou-a a realizar uma campanha impressionante em Paris, onde tem jogado com confiança e liberdade.
À medida que as duas se preparam para disputar um lugar nas meias-finais, o encontro carrega um peso emocional e desportivo enorme. Independentemente do resultado, a Ucrânia já tem garantido um momento histórico em Roland-Garros, motivo de orgulho para ambas as atletas e para o país.
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