A corrida deverá realizar-se no início da década de 2030, num circuito construído de propósito em Bugesera, perto de Kigali. O projeto enquadra-se num acordo de dez anos celebrado com a Fórmula 1.
No entanto, a iniciativa tem suscitado preocupações sobre a utilização do desporto para melhorar a imagem internacional de um país que enfrenta críticas em matéria de direitos humanos. Esta prática, conhecida como sportswashing, consiste em recorrer a eventos desportivos e parcerias de prestígio para desviar a atenção de controvérsias políticas ou sociais.
O Ruanda não é o único país a enfrentar este tipo de acusações. A Arábia Saudita e outros países que acolhem provas de Fórmula 1 também têm sido criticados por alegadamente utilizarem o desporto para reforçar a sua reputação internacional. As parcerias comerciais do Ruanda com clubes de futebol ingleses, incluindo o Arsenal e o Aston Villa, também têm sido alvo de escrutínio.
O governo ruandês é frequentemente criticado pelo seu historial em matéria de direitos humanos e pelo seu alegado envolvimento no conflito na República Democrática do Congo (RDC). Kinshasa iniciou um processo contra Kigali no Tribunal Internacional de Justiça, acusando o país de violar tratados internacionais.
Por sua vez, a Fórmula 1 afirma respeitar os direitos humanos internacionalmente reconhecidos. A organização considera também que a realização de uma prova no Ruanda poderá dar a milhões de pessoas em África a oportunidade de conhecer melhor a modalidade e demonstrar a capacidade do desporto para contribuir positivamente para a sociedade.
Felix Jakens, responsável pela área de campanhas da Amnistia Internacional no Reino Unido, considera, contudo, que o Ruanda utiliza as suas parcerias desportivas para melhorar a sua imagem e desviar a atenção das acusações relacionadas com os direitos humanos. O responsável apelou à Fórmula 1 para que utilize a sua influência a fim de exigir mudanças concretas e significativas.
O projeto volta, assim, a levantar uma questão mais ampla sobre as responsabilidades das organizações desportivas quando estabelecem parcerias com governos que enfrentam críticas pelo seu historial de direitos humanos.
ADD A COMMENT :