O Diretor Executivo da Monimichelle Sports Facilities, Ebi Egbe, lançou um grande alerta relativamente ao estado de deterioração das infraestruturas desportivas na Nigéria. Falando em Lagos, o veterano especialista em recintos alegou que muitos administradores desportivos abandonaram as suas funções primárias para atuar como empreiteiros em projetos de estádios. Este conflito de interesses, afirma ele, levou à construção de instalações abaixo do padrão que não cumprem os critérios internacionais. Egbe enfatizou que o desporto nigeriano continuará a ter dificuldades até que as funções administrativas sejam estritamente separadas da gestão profissional de recintos.
Um ponto de grande preocupação para o responsável da Monimichelle é o engano visual utilizado no comissionamento dos estádios. Ele observou que, embora muitos campos na Nigéria pareçam viçosos e verdes para o observador casual, muitas vezes carecem da integridade técnica necessária para o jogo profissional. Egbe apontou instalações como o Estádio Samuel Ogbemudia e o Estádio Stephen Keshi como exemplos de recintos que parecem impressionantes, mas que lutam com a drenagem e a sustentabilidade. Segundo ele, "o futebol não se joga pela aparência", e o desempenho funcional deve sempre prevalecer sobre o apelo cosmético.
As consequências destas falhas administrativas estão a tornar-se cada vez mais evidentes no futebol nigeriano. Muitos estádios por todo o país falharam recentemente nas inspeções da CAF e da FIFA, forçando os clubes locais a acolher jogos internacionais fora dos seus estados de origem. Egbe argumentou que a adjudicação de contratos a empresas de fachada com ligações políticas, em vez de firmas tecnicamente competentes, leva a projetos abandonados e custos inflacionados. Ele instou o governo a garantir que apenas empresas com experiência comprovada na instalação de relva padrão FIFA sejam autorizadas a lidar com infraestruturas críticas.
Para combater estes desafios, Egbe propôs que o parlamento nigeriano considere a aprovação de leis de isenção fiscal para empresas de construção desportiva. Os elevados impostos de importação sobre materiais especializados, como sistemas de relva híbrida e equipamento de drenagem, aumentam frequentemente o custo total dos projetos de estádios. Ele acredita que um ambiente político mais favorável capacitaria os empreiteiros profissionais a entregar instalações duradouras e de classe mundial. Esta mudança de política acabaria por proteger a saúde dos atletas e reduzir o risco de lesões que ameaçam carreiras, causadas por superfícies de jogo deficientes.
Egbe mantém-se otimista de que a Nigéria tem a capacidade local para construir infraestruturas de elite do zero se os sistemas corretos estiverem em vigor. Ele celebrou recentemente um marco histórico quando o relvado híbrido do Estádio Remo Stars, em Ikenne, recebeu a primeira certificação de Qualidade FIFA da Nigéria. O especialista apelou à Federação Nigeriana de Futebol (NFF) para liderar uma nova era de transparência antes do seu próximo congresso eletivo. Ao priorizar a integridade e o profissionalismo, a Nigéria pode finalmente reduzir o fosso entre as infraestruturas domésticas e os padrões europeus.
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