A decepcionante campanha da Coreia do Sul na Copa do Mundo desencadeou uma onda de críticas no país, com os pedidos por uma ampla reformulação da estrutura do futebol nacional ganhando ainda mais força, mesmo após a renúncia do técnico Hong Myung-bo.
Semifinalista da Copa do Mundo de 2002, disputada em casa ao lado do Japão, a seleção sul-coreana não conseguiu avançar às fases eliminatórias desta edição. A equipe ficou fora do grupo dos melhores terceiros colocados após ser derrotada por 1 a 0 pela África do Sul, resultado que decretou sua eliminação.
As consequências foram imediatas. Hong deixou o comando da seleção no domingo, enquanto também surgiram dúvidas sobre o futuro internacional do capitão Son Heung-min, após a inesperada queda da equipe.
O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, aumentou a pressão ao pedir desculpas publicamente à população e atribuir o fracasso a "pessoas incompetentes". Suas declarações refletiram o sentimento de muitos torcedores, que demonstram crescente insatisfação com os rumos do futebol sul-coreano nos últimos anos.
O ex-capitão Park Ji-sung afirmou que o desempenho decepcionante era consequência de problemas acumulados ao longo do tempo. Segundo ele, os dirigentes do futebol sul-coreano deixaram de aproveitar os aprendizados obtidos nas campanhas anteriores em Copas do Mundo.
Park destacou que, após torneios anteriores, o país investiu no aprimoramento dos métodos de preparação e na estrutura do futebol, mas que esses avanços foram sendo perdidos gradualmente.
A Coreia do Sul iniciou o Mundial como favorita para avançar em um grupo que também contava com os coanfitriões México, além de África do Sul e República Tcheca. A equipe venceu os tchecos por 2 a 1 na estreia, perdeu por margem mínima para o México e acabou eliminada após a derrota diante da África do Sul.
A delegação deve retornar ao país na terça-feira, mas a imprensa local informou que a Associação Coreana de Futebol (KFA) não pretende organizar uma recepção oficial para a equipe, evidenciando o clima de insatisfação que cerca a seleção.
A frustração atual trouxe à memória a eliminação na Copa do Mundo de 2014, quando torcedores receberam os jogadores atirando doces tradicionais coreanos após outra queda ainda na fase de grupos, também sob o comando de Hong Myung-bo em sua primeira passagem pela seleção.
Hong vinha sendo alvo de fortes críticas desde que reassumiu o comando da equipe nacional em julho de 2024, substituindo o ex-técnico da Alemanha Jürgen Klinsmann. Sua contratação gerou questionamentos sobre a transparência e a condução do processo de escolha realizado pela KFA.
Durante a Copa do Mundo, o treinador também foi bastante criticado, especialmente por deixar Son Heung-min no banco de reservas na partida contra a África do Sul, quando um simples empate bastava para garantir a classificação.
Após a eliminação, Hong admitiu ter dificuldades para explicar o que havia dado errado, enquanto a equipe aguardava os resultados das outras partidas antes da confirmação oficial da eliminação.
O ex-jogador Lee Chun-soo, integrante da histórica seleção sul-coreana semifinalista em 2002, classificou como humilhante depender dos resultados de outras equipes. Para ele, a campanha deve servir como um alerta para o futebol do país, e os responsáveis precisam estar dispostos a assumir as consequências.
Grande parte das críticas também se concentra no presidente da KFA, Chung Mong-gyu. Antes do início do torneio, o dirigente anunciou que deixaria o cargo após a Copa do Mundo, reconhecendo as críticas recebidas ao longo de seus 13 anos à frente da entidade.
O dirigente de 65 anos enfrentou diversas controvérsias durante sua gestão, incluindo a reação negativa provocada por uma tentativa de conceder perdão a ex-jogadores banidos do futebol por envolvimento em manipulação de resultados.
As atenções também se voltam para o futuro de Son Heung-min na seleção. O capitão completa 34 anos no próximo mês e já deu sinais anteriormente de que sua aposentadoria do futebol internacional pode estar próxima.
Para Park Ji-sung, a dolorosa eliminação deve servir como ponto de partida para mudanças profundas no futebol sul-coreano. Ele alertou para a necessidade de evitar os erros do passado e defendeu a construção de um projeto sólido e de longo prazo para que o país volte a competir entre as principais seleções do mundo.
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