A seleção da Coreia do Sul chega ao próximo Campeonato do Mundo da FIFA carregando uma mistura de história e ambição, moldada por décadas de crescimento consistente no cenário global e por um plantel moderno capaz de competir com a elite do futebol mundial.
Conhecidos como os “Taegeuk Warriors”, a Coreia do Sul é a seleção asiática mais regular em Mundiais, tendo participado mais vezes do que qualquer outra nação do continente. O grande momento de viragem surgiu em 2002, quando coorganizou a competição com o Japão e surpreendeu o mundo ao chegar às meias-finais, eliminando várias potências europeias.
Desde então, a Coreia do Sul tem mantido presença constante no palco mundial, alcançando os oitavos de final em 2010 e novamente em 2022. A campanha no Qatar foi particularmente marcante, com uma qualificação dramática para os oitavos graças a uma vitória tardia sobre Portugal, antes da eliminação frente ao Brasil. Essa combinação de resiliência e disciplina tática tornou-se uma identidade da equipa.
A Coreia do Sul chega ao torneio com uma consistência notável nas fases de qualificação. Segundo dados da FIFA, mantém uma das mais longas séries de participações consecutivas no Mundial, reforçando a sua estabilidade no futebol asiático.
A preparação recente incluiu resultados mistos em jogos amigáveis frente a adversários de alto nível, revelando pontos fortes e aspetos a melhorar. A equipa técnica testou várias formações para encontrar o equilíbrio entre experiência e flexibilidade ofensiva.
O médio Hwang In-beom, recentemente recuperado de lesão, destacou a importância da união do grupo, sublinhando que a responsabilidade coletiva será essencial ao mais alto nível.
No centro do projeto está o selecionador Hong Myung-bo, uma lenda nacional e capitão da histórica campanha de 2002. A sua abordagem assenta na disciplina, organização e adaptabilidade tática.
Hong defende que o futebol moderno no Mundial exige grande flexibilidade, sobretudo frente a seleções europeias e sul-americanas de elevada qualidade técnica. Destaca também a importância da força mental e da coesão em jogos de elevada pressão.
Em declarações recentes, reconheceu as dificuldades das condições de altitude no México, onde alguns jogos da fase de grupos serão disputados, mas mostrou confiança na preparação física da equipa.
O plantel é liderado pelo capitão Son Heung-min, a principal referência ofensiva e de liderança da equipa. Conta ainda com jogadores de topo a atuar na Europa, como Kim Min-jae (Bayern Munique), Lee Kang-in (PSG) e Hwang Hee-chan (Premier League).
O guarda-redes Kim Seung-gyu e o médio Lee Jae-sung acrescentam estabilidade, enquanto jovens talentos oferecem profundidade e energia ao grupo.
Sob o comando de Hong, a Coreia do Sul aposta numa organização defensiva sólida, transições rápidas e pressão disciplinada. A equipa é especialmente perigosa em contra-ataque e em bolas paradas.
Embora não esteja entre os favoritos, espera-se que consiga novamente chegar aos oitavos de final. O grupo, composto por México, República Checa e África do Sul, é competitivo, mas considerado equilibrado.
A Coreia do Sul entra no Mundial com ambição realista. A sua história mostra capacidade para surpreender, mas o sucesso dependerá da consistência frente a adversários fisicamente e tecnicamente fortes.
Com um selecionador experiente, um núcleo de jogadores na Europa e uma identidade bem definida, os Taegeuk Warriors procuram reforçar o seu estatuto como uma das seleções mais consistentes da Ásia no Mundial — e talvez ir ainda mais longe do que o esperado.
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