Aos 73 anos, o técnico chileno regressa ao Borussia Dortmund na quarta-feira, com o Betis a atravessar uma excelente campanha europeia. A equipa venceu os três primeiros jogos da fase de liga da Liga dos Campeões, posicionando-se entre os primeiros candidatos a uma vaga nas eliminatórias.
Contudo, a viagem à Alemanha também traz recordações dolorosas para Pellegrini. Em 2013, a sua equipa do Málaga sofreu uma das derrotas mais difíceis da sua carreira de treinador frente ao Dortmund. Apesar de ter conseguido manter a eliminatória equilibrada até aos momentos finais, o Málaga sofreu dois golos nos descontos e perdeu por 3-2, falhando a qualificação para as meias-finais.
A derrota foi particularmente dolorosa para Pellegrini, que viajou para a Alemanha depois de assistir ao funeral do pai no Chile. Após o encontro, também questionou as decisões da equipa de arbitragem, considerando que o golo decisivo de Felipe Santana deveria ter sido anulado por fora de jogo.
Nesse verão, Pellegrini mudou-se para o Manchester City, onde conquistou o título da Premier League e duas Taças da Liga durante os seus três anos no clube. Apesar desses sucessos, não conseguiu conquistar a Liga dos Campeões antes de deixar a equipa em 2016.
Desde que assumiu o comando técnico do Real Betis, em 2020, Pellegrini viveu um dos períodos mais estáveis da sua carreira. Conduziu o clube andaluz ao seu primeiro título da Taça do Rei em 17 anos, em 2022, e ajudou a equipa a regressar à Liga dos Campeões após uma ausência de 20 anos.
O seu compromisso com o futebol ofensivo também transformou o Betis numa equipa bastante atrativa de assistir, com jogadores criativos como Isco e Ez Abde a desempenharem papéis importantes no seu sistema de jogo. O clube garantiu a qualificação para as competições europeias em seis temporadas consecutivas e alcançou a primeira final europeia da sua história em 2025, antes de perder frente ao Chelsea na Liga Conferência.
As conquistas de Pellegrini como treinador vão muito além do seu atual cargo. Transformou o Villarreal num semifinalista da Liga dos Campeões em 2006 e conduziu o clube ao segundo lugar da LaLiga dois anos depois, terminando à frente do Barcelona e do Atlético de Madrid.
Esses resultados valeram-lhe a oportunidade de assumir o comando técnico do Real Madrid em 2009. Apesar de ter conquistado 96 pontos no campeonato, estabelecendo então um recorde do clube, foi despedido após apenas uma temporada, quando Florentino Pérez decidiu apostar em José Mourinho na tentativa de conquistar a tão aguardada décima coroa europeia do clube.
As suas conquistas valeram-lhe o reconhecimento de vários treinadores, incluindo Davide Ancelotti, treinador do Lille, que considera que o técnico chileno merece maior reconhecimento pela sua contribuição para o futebol.
Pellegrini, no entanto, sempre defendeu que a conquista de troféus não deve ser o único critério para avaliar o sucesso de um treinador. Na sua opinião, a sua responsabilidade passa por melhorar as equipas que orienta, mantendo-se fiel à sua filosofia de futebol.
Os adeptos do Villarreal, do Málaga e do Real Betis viveram alguns dos períodos mais memoráveis da história dos respetivos clubes sob a sua liderança. Estas conquistas representam um forte argumento a favor do seu legado no futebol, apesar da ausência de um título da Liga dos Campeões no seu currículo.
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