O presidente da FIFA, Gianni Infantino, saiu em defesa da Copa do Mundo de 2026, acusando os críticos da competição de se concentrarem apenas nos aspetos negativos em vez de reconhecerem o que classificou como um torneio seguro e bem-sucedido. Numa carta aberta publicada na segunda-feira, Infantino afirmou que os detratores estavam a “espalhar ódio e falsos rumores”, ignorando as experiências positivas vividas por milhões de adeptos.
O dirigente da FIFA apelou aos críticos para que “reservem um momento para refletir, meditar e rezar”, argumentando que estavam tão focados nas críticas que deixaram de reconhecer o espírito de união e o entusiasmo gerados ao longo da competição. Segundo Infantino, o torneio decorreu sem incidentes graves de segurança e proporcionou alegria aos adeptos dos três países anfitriões: Estados Unidos, Canadá e México.
Antes e durante a competição, o Mundial foi alvo de fortes críticas relacionadas com os elevados preços dos bilhetes, as restrições na emissão de vistos, as tensões geopolíticas e as preocupações com as temperaturas extremas do verão. Também surgiram dúvidas sobre a participação de seleções provenientes de países afetados por conflitos ou crises de saúde pública, enquanto várias pessoas enfrentaram dificuldades relacionadas com viagens e imigração.
Infantino defendeu a forma como a FIFA lidou com essas questões sensíveis, afirmando que o futebol serviu como uma ponte entre os povos, e não como um fator de divisão. O presidente destacou a participação do Irão como prova de que o desporto pode unir pessoas apesar das tensões políticas. Acrescentou que foram concedidos vistos a equipas e participantes oriundos de países afetados por conflitos ou emergências de saúde, porque o futebol deve permanecer separado da política. Também criticou aqueles que deram destaque a um pequeno número de pedidos de visto recusados, ignorando os milhões que foram aprovados.
As declarações de Infantino contrastaram com as opiniões manifestadas por membros da seleção iraniana durante o torneio. O selecionador Amir Ghalenoei descreveu a sua equipa como a “mais oprimida” da Copa do Mundo, enquanto o avançado Mehdi Taremi classificou o tratamento recebido pela seleção como um “desastre”.
Infantino também abordou a polémica em torno de algumas decisões disciplinares e de arbitragem. Um dos episódios mais discutidos ocorreu quando a suspensão do avançado norte-americano Folarin Balogun foi levantada depois de, segundo relatos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter solicitado à FIFA uma revisão do caso. A decisão permitiu que Balogun disputasse o jogo dos oitavos de final frente à Bélgica e motivou críticas da UEFA, que classificou a intervenção como inédita e inadequada.
Respondendo a essas críticas, Infantino sustentou que decisões controversas de arbitragem e disciplina são comuns nas principais competições de futebol em todo o mundo. Defendeu que os críticos aplicam um padrão diferente à FIFA, apesar de situações semelhantes ocorrerem regularmente nas ligas nacionais. Acrescentou ainda que algumas das críticas mais severas vieram de países onde práticas semelhantes já são amplamente aceites.
ADD A COMMENT :