A vida recente do atacante haitiano tem sido marcada por fortes contrastes — entre a alegria de uma conquista histórica com a seleção e a fuga de uma situação perigosa enquanto atuava no futebol de clubes no Irã.
O jogador de 32 anos ajudou o Haiti a garantir sua primeira classificação para a Copa do Mundo desde 1974, um feito que o colocou no centro do orgulho nacional. Artilheiro histórico da seleção com 44 gols em 76 partidas, ele agora se prepara para um momento marcante: enfrentar a Escócia na primeira partida do Haiti em uma Copa do Mundo em mais de cinco décadas.
Ao longo da carreira, Nazon passou por vários clubes e países, incluindo uma passagem pela Escócia com o St Mirren em 2019 e também pelo Coventry City. Atualmente, defende o Esteghlal, de Teerã, onde sua rotina foi recentemente afetada pelas tensões regionais.
Em entrevista ao podcast Sacked in the Morning, Nazon contou que estava prestes a deixar o Irã quando os voos foram repentinamente cancelados devido ao início do conflito. Ele afirmou que passageiros foram retirados do avião por razões de segurança pouco antes da decolagem.
Enquanto isso, sua esposa marroquina e seus quatro filhos estavam em segurança na França, país onde ele nasceu. Sozinho, ele se viu em uma situação que se deteriorava rapidamente e relatou ter presenciado explosões enquanto tentava deixar o país.
O atacante ficou preso por quase dois dias na fronteira entre o Irã e o Azerbaijão, enfrentando recusas sucessivas e sendo devolvido em condições difíceis. Ele chegou a dormir no local durante a espera.
O ponto de virada aconteceu quando um eSIM previamente adquirido permitiu que ele recuperasse o acesso à internet após o corte de comunicação no Irã. Com isso, conseguiu entrar em contato com a embaixada francesa, que coordenou com autoridades do Azerbaijão sua passagem segura.
Ao refletir sobre o episódio, Nazon destacou que a situação teria sido ainda mais angustiante se sua família estivesse com ele, e atribuiu sua sobrevivência e saída bem-sucedida à rapidez de decisão e à sorte.
Apesar do trauma, ele agora volta o foco ao futebol e à campanha do Haiti na Copa do Mundo — um novo capítulo após um dos períodos mais intensos de sua vida.
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