A administração do basquete na Nigéria mergulhou em profunda turbulência, após membros do Congresso da Federação Nigeriana de Basquete (NBBF) acusarem formalmente o conselho que está saindo de violar a Constituição da Federação e permanecer ilegalmente no poder após o término de seu mandato.
Em uma petição enviada à Federação Internacional de Basquete (FIBA), representantes das Associações Estaduais de Basquete e outros membros estatutários do Congresso declararam que o conselho eleito em 31 de janeiro de 2022 não possui autoridade legal ou moral para continuar no cargo após 31 de janeiro de 2026.
Os peticionários, que consideram o Congresso como o órgão supremo da Federação, enfatizam que a Constituição da NBBF de 2019 – elaborada com a participação da FIBA, do Comitê Olímpico Nigeriano (NOC) e do então Ministério da Juventude e Esportes – continua sendo o único estatuto válido que rege o basquete na Nigéria.
Segundo a petição, as eleições de 2022 foram conduzidas pacífica e legalmente, observadas pela FIBA e amplamente reconhecidas. Os membros do conselho tomaram posse imediatamente, marcando o início de seu mandato de quatro anos, conforme os Artigos 21.8 e 23.10 da Constituição.
No entanto, as partes interessadas afirmam que a crise começou com o que chamam de violações constitucionais deliberadas por parte do presidente da NBBF, Engenheiro Ahmadu Musa Kida.
A petição alega que nenhuma Assembleia Geral ou Congresso foi convocado entre 2022 e 2026, violando o Artigo 20.2, que exige pelo menos um Congresso anual, sendo o quarto um Congresso Eleitoral. Mais preocupante ainda, o presidente é acusado de não convocar reuniões do conselho por mais de um ano, apesar das disposições constitucionais que exigem sessões trimestrais. A última reunião do conselho teria ocorrido no final de 2024, deixando a Federação efetivamente paralisada.
As partes interessadas alegam que essa situação foi deliberada: “O presidente que está saindo transformou-se em administrador único para se perpetuar no cargo”, afirma a petição.
As tensões aumentaram durante uma reunião das partes interessadas em 9 de janeiro de 2026, com a presença da Comissão Nacional de Esportes (NSC), representantes do NOC, membros do conselho e outros stakeholders. Um representante do presidente tentou justificar a extensão do mandato até outubro de 2026, alegando que o conselho havia sido empossado pelo Ministro dos Esportes em outubro de 2022, mas o argumento foi amplamente rejeitado.
Os membros do Congresso insistiram que a Constituição é clara: o mandato começa na data da eleição e posse, e não na inauguração ministerial. Documentos apresentados na reunião também contradisseram alegações de que o conselho foi impedido de funcionar antes de outubro de 2022.
Na mesma reunião, todas as partes aparentemente concordaram que o presidente deveria convocar uma reunião do conselho em cinco dias e iniciar o processo para um Congresso Eleitoral em dez dias, com eleições a serem concluídas até 31 de março de 2026. Esse prazo já passou sem qualquer ação.
Para os membros do Congresso, essa falha confirma uma conclusão: atualmente a Nigéria não possui um conselho legítimo da NBBF.
Invocando o Artigo 35 da Constituição da NBBF, que reconhece a FIBA como autoridade máxima do basquete mundial, os peticionários pediram à entidade que intervenha imediatamente. Solicitaram à FIBA:
Declarar que o presidente e o conselho saindo excederam seu mandato e devem deixar o cargo.
Autorizar a NSC e o NOC a realizar novas eleições para o conselho 2026–2030 usando a Constituição de 2019, até 31 de março de 2026.
“Não podemos permitir que beneficiários da ilegalidade lucrem com a crise que eles mesmos criaram”, alertou a petição.
Enquanto o basquete nigeriano aguarda ansiosamente, a bola agora está no campo da FIBA, e a estabilidade futura do esporte no país permanece em jogo.
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