Aos 26 anos, Femke Bol está a provar que uma mudança radical de disciplina pode trazer resultados imediatos. Depois de construir uma carreira de elite nos 400 m com barreiras, a neerlandesa está agora a afirmar-se entre as melhores especialistas dos 800 m.
Bol entrou em 2026 como bicampeã mundial dos 400 m com barreiras, tendo conquistado os títulos em Budapeste, em 2023, e em Tóquio, em 2025. Também ganhou medalhas de bronze olímpicas na mesma prova em Tóquio 2020 e Paris 2024, além de ter ajudado os Países Baixos a conquistar ouro e prata em provas de estafeta nos Jogos de Paris.
A decisão de mudar de disciplina surgiu depois dos Jogos Olímpicos de Paris, em colaboração com o treinador Laurent Meuwly. O objetivo era transformar os 800 m na principal prova da próxima fase da sua carreira, depois de anos entre as melhores atletas mundiais dos 400 m.
A adaptação, porém, aconteceu muito mais rapidamente do que o esperado.
Na última etapa da Diamond League, em Zurique, Bol correu os 800 m em 1:54.71, terminando em segundo lugar atrás da suíça Audrey Werro. O resultado estabeleceu um novo recorde nacional dos Países Baixos e colocou Bol entre as 15 mulheres mais rápidas de sempre na distância.
Werro venceu a corrida em 1:53.70, subindo para o terceiro lugar no ranking mundial de todos os tempos. A suíça também ficou muito perto do antigo recorde mundial de Jarmila Kratochvilova, de 1:53.28, estabelecido em 1983.
Para Bol, o nível apresentado logo na sua primeira temporada nos 800 m foi uma surpresa positiva. Ela esperava que a transição levasse vários anos, mas a rápida evolução permitiu-lhe aproximar-se de atletas já estabelecidas na disciplina.
Os desafios também são diferentes. Nos 400 m com barreiras, Bol estava habituada a controlar o ritmo e a técnica entre obstáculos. Nos 800 m, precisa de lidar com adversárias, posicionamento e decisões táticas, enquanto a corrida pode mudar completamente nos metros finais.
Ainda há margem para melhorar a resistência e a estratégia de corrida, mas a velocidade adquirida ao longo dos anos nos sprints e nas barreiras representa uma das suas principais vantagens.
Inicialmente, Bol encarou os 800 m com alguma apreensão. O trabalho com Meuwly ajudou-a a perceber que estava a dar demasiada importância à distância e às adversárias. O treinador incentivou-a a confiar mais nas próprias capacidades.
A mudança acontece num momento particularmente interessante para os 800 m femininos. A campeã olímpica Keely Hodgkinson continua a ser uma das principais referências, enquanto Werro se afirma como uma nova força da especialidade.
Bol espera que a crescente competitividade entre as três atletas contribua para elevar ainda mais o nível da prova.
A neerlandesa também recebeu elogios de nomes de destaque do atletismo. O campeão olímpico e mundial do salto com vara, Armand “Mondo” Duplantis, destacou o seu profissionalismo e dedicação, enquanto a campeã mundial dos 100 m, Melissa Jefferson-Wooden, considerou que a evolução de Bol merece ainda mais reconhecimento.
A próxima grande prova será a Final da Diamond League, em Bruxelas, onde Bol terá mais uma oportunidade para testar os seus limites.
A transformação de uma especialista de elite nos 400 m com barreiras numa forte candidata aos 800 m já superou todas as expectativas. E, para Bol, a sensação é de que ainda está apenas a começar a descobrir todo o seu potencial.
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